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Ativista pelos direitos civis Jesse Jackson, protegido de Martin Luther King que almejou a Casa Branca, morre aos 84 anos


O reverendo Jesse Jackson, liderança da luta pelos direitos civis nos EUA nos anos 1960 e pioneiro do movimento negro na política americana, morreu nesta terça-feira aos 84 anos. Principal líder negro do país desde a morte de seu mentor, Martin Luther King, até a eleição de Barack Obama, Jackson estava internado desde novembro para tratamento de uma condição neurodegenerativa rara. A família não informou a causa da morte do ativista de carreira multifacetada, cujas candidaturas à Casa Branca na década de 1980 ajudaram a pavimentar o caminho para a eleição de Obama duas décadas depois.

Colaborador próximo de Martin Luther King na década de 1960, Jackson marcou época como um orador dinâmico e um mediador de sucesso em disputas internacionais. Ícone da luta por igualdade racial nos EUA, tendo enfrentado o período das políticas de segregação, o pastor batista ampliou o espaço para os afro-americanos no cenário nacional por mais de seis décadas.

“Nosso pai foi um líder servidor – não apenas para nossa família, mas para os oprimidos, os sem voz e os marginalizados ao redor do mundo”, pronunciou-se a família do reverendo em um comunicado, por meio do qual destacou a crença inabalável dele na “justiça, igualdade e amor”. “Compartilhamos seu nome com o mundo e, em troca, o mundo se tornou parte de nossa família ampliada.”

Jackson esteve presente em muitos momentos cruciais da longa luta pela justiça racial nos Estados Unidos. Ele estava com King em Memphis, em 1968, quando o líder dos direitos civis foi assassinado; chorou abertamente na multidão quando Barack Obama comemorou sua eleição presidencial em 2008; e apoiou a família de George Floyd em 2021, após a condenação de um ex-policial pelo assassinato do homem negro desarmado.

— Meu eleitorado é formado pelos desesperados, pelos condenados, pelos deserdados, pelos desrespeitados e pelos desprezados — disse Jackson na Convenção Nacional Democrata de 1984.

O reverendo surgiu para o cenário político após ganhoar destaque na década de 1960 como líder da Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC), ligada a Martin Luther King. Após o falecimento do mentor, ele fundou duas organizações que buscavam pela justiça social e ativismo: a Operation PUSH, em 1971, e a Coalizão Nacional Arco-íris, doze anos depois. Os dois grupos se fundiram em 1996.

Foram as candidaturas presidenciais de Jackson — e um discurso de 1988 — que chamaram a atenção de muitos americanos e garantiram que as questões afro-americanas se tornassem fundamentais para a plataforma do Partido Democrata.

Jackson terminou em terceiro lugar nas primárias democratas de 1984 — atrás de Walter Mondale e de Gary Hart — tornando-se o candidato presidencial negro mais bem-sucedido até Obama. Mondale foi derrotado por Ronald Reagan na eleição geral daquele ano.

Quatro anos depois, Jackson estava de volta ao palco da convenção após ficar em segundo lugar, atrás do candidato Michael Dukakis, instando os americanos a encontrarem um “terreno comum”.

Jackson atacou o que chamou de “Robin Hood às avessas” de uma presidência de Reagan que concedeu riquezas aos ricos enquanto deixava os americanos pobres em dificuldades. Embora seu discurso impactante tenha aumentado sua visibilidade, a gradual inclinação do país para a direita o privou de grande influência política nos anos seguintes.

Embora suas realizações tenham sido pioneiras, seu trabalho também foi manchado por controvérsias. Em 1984, ele descreveu Nova York como “Hymietown”, usando um termo pejorativo para judeus.

Um dos filhos de Jackson, o ex-congressista americano Jesse Jackson Jr., cumpriu pena de prisão após se declarar culpado, em 2013, de desviar cerca de US$ 750 mil em verbas de campanha para uso pessoal.

A história pessoal de Jackson começou com dificuldades. Ele nasceu Jesse Louis Burns em 8 de outubro de 1941, em Greenville, Carolina do Sul, filho de uma mãe adolescente solteira e um ex-boxeador profissional. Mais tarde, adotou o sobrenome de seu padrasto, Charles Jackson.

— Eu não nasci com berço de ouro. Eu tinha uma pá programada para as minhas mãos— disse ele certa vez.

Ele se destacou em sua escola secundária — uma instituição educacional segregada — e ganhou uma bolsa de estudos para jogar futebol americano na Universidade de Illinois, mas depois se transferiu para a Faculdade Agrícola e Técnica da Carolina do Norte, predominantemente negra, onde se formou em sociologia.

Em 1960, participou de seu primeiro protesto pacífico, em Greenville, e depois se juntou às marchas pelos direitos civis de Selma a Montgomery em 1965, onde chamou a atenção de Martin Luther King Jr.

Mais tarde, Jackson se tornou um mediador e enviado em diversas frentes internacionais importantes.

Ele se tornou um defensor proeminente do fim do apartheid na África do Sul e, na década de 1990, atuou como enviado especial presidencial para a África durante o governo de Bill Clinton.Missões para libertar prisioneiros americanos o levaram à Síria, ao Iraque e à Sérvia.

Mas ele causou polêmica em 2005 ao se encontrar com Hugo Chávez na Venezuela e, posteriormente, discursar no funeral do ditador em 2013.

Jackson anunciou em 2017 que estava lutando contra a doença de Parkinson e começou a reduzir seus compromissos públicos. Um dos últimos compromissos foi o apoio público à família de George Floyd em uma coletiva de imprensa de abril de 2021, quando um júri de Minneapolis condenou o assassino de Floyd. (Com AFP)



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