Prestes a deixar o cargo por causa das eleições, o ministro da Educação, Camilo Santana, convocou a cadeia nacional de TV e rádio para destacar números de sua gestão na pasta. O motivo do pronunciamento, segundo afirmou, foi a volta às aulas dos estudantes da rede pública.
Um dos pontos ressaltados no pronunciamento foi a queda pela metade da evasão escolar após a implementação do programa Pé-de-Meia. O ministro, porém, não apresentou dados detalhados que comprovem o índice. Ele também destacou os efeitos da restrição ao uso de celulares nas escolas, adotada há um ano, afirmando que a medida ajudou a reforçar o foco dos estudantes nas atividades pedagógicas. Segundo ele, os aparelhos passaram a ser utilizados apenas como ferramentas educacionais.
Camilo citou ainda a ampliação da conectividade nas escolas públicas, de 45% em 2023 para 70% em 2026, com 96 mil unidades contando atualmente com acesso adequado à internet. No pronunciamento, afirmou que o governo entregou mais de 2.250 unidades escolares, creches e quadras esportivas desde 2023, além de ter retomado obras paralisadas e iniciado mais de 6 mil novos projetos.
O ministro também destacou a expansão do ensino em tempo integral, dizendo que a proporção de municípios com políticas nessa área passou de 17% em 2023 para 91% atualmente, além de citar reajustes acumulados no financiamento da alimentação escolar. Ele mencionou avanços em indicadores educacionais, como o aumento da taxa de alfabetização na idade certa, que teria passado de 37% para cerca de 60% até 2024.
Na parte final do discurso, Camilo citou medidas voltadas à valorização dos professores, como reajustes salariais e oferta de cursos gratuitos de formação, além de políticas de inclusão e ampliação do acesso ao ensino superior. Ele mencionou o crescimento do Enem, recordes no Sisu, ProUni e Fies, investimentos em institutos federais, universidades e hospitais universitários, e concluiu afirmando que o governo está ao lado dos estudantes, professores e famílias, defendendo que o futuro do país está sendo construído por meio da educação.
Camilo pretende deixar o MEC em abril para ajudar a reeleger o governador Elmano de Freitas (PT), que tem enfrentado um cenário eleitoral adverso e corre o risco de ser derrotado por Ciro Gomes (PSDB). Embora o ministro negue essa possibilidade publicamente, o PT trabalha com a hipótese de escalá-lo como candidato para não perder o comando do estado, que tem o terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste.
Pelas regras eleitorais, para se candidatar, o político precisa se descompatibilizar do cargo público seis meses antes do pleito.