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italiano de 80 anos acusado de pagar para matar civis durante a Guerra da Bósnia, na década de 1990, é interrogado em Milão


Um italiano de 80 anos, suspeito de ter pago a militares bósnios para atirar contra civis durante o cerco de Sarajevo (1992-1996), foi interrogado nesta segunda-feira em Milão, informou a imprensa. O ex-motorista de caminhão da região do Friuli-Veneza Júlia, no nordeste da Itália, foi acusado pelo Ministério Público de Milão de “homicídio voluntário continuado e agravado por motivos abjetos”, segundo a agência de notícias italiana Ansa.

“Meu cliente respondeu a todas as perguntas e reafirmou sua inocência”, declarou à saída do interrogatório seu advogado, Giovanni Menegon.

O Ministério Público abriu, em outubro, uma investigação sobre as supostas viagens desses “turistas de guerra”, também conhecidos como “atiradores de fim de semana”, entre eles vários italianos.

Na maioria, eram simpatizantes de extrema-direita aficionados por armas e com alto poder aquisitivo, que teriam viajado durante a guerra da Bósnia às colinas que cercavam Sarajevo, pagando ao exército sérvio da Bósnia, que sitiava a cidade, para poder atirar contra civis.

Segundo a imprensa italiana, o homem interrogado em Milão era aficionado por caça, possuía várias armas de fogo e era um nostálgico do fascismo. Também teria se vangloriado publicamente de ter viajado à Bósnia para “caçar pessoas”.

“Segundo os depoimentos colhidos, ele contava aos amigos no bar do bairro o que havia feito durante a guerra nos Bálcãs”, explicou à AFP a jornalista independente Marianna Maiorino, que investigou o caso e também foi interrogada no âmbito da investigação italiana.

“Não estou preocupado, é apenas um dos muitos assuntos, grandes ou pequenos, que marcaram minha vida, vivi muitos”, declarou o suspeito no domingo ao jornal Messaggero Veneto.

A investigação preliminar começou no final do ano passado, após uma denúncia do jornalista e escritor italiano Ezio Gavanezzi, baseada em dois testemunhos incluídos em um documentário.

Durante o cerco de Sarajevo (1992-1996), o mais longo da história da guerra moderna, mais de 11.500 pessoas morreram na cidade, incluindo várias centenas de crianças, segundo números oficiais da Bósnia.



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