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Morre Frederick Wiseman, lendário documentarista que retratou instituições, aos 96 anos


Morreu, aos 96 anos, o lendário documentarista americano Frederick Wiseman. O anúncio foi feito por sua família.

Anatomista das instituições humanas, Wiseman ficou conhecido por retratar o funcionamento de organizações em mais de 40 filmes. Sua obra examinou os mecanismos internos de universidades, hospitais, órgãos de justiça, museus, indústria da moda, zoológicos e restaurantes, mostrando uma teia mais complexa do que a ficção.

Nascido em Boston, em 1930, manteve-se ativo até o fim da vida, produzindo alguns de seus filmes mais famosos após completar 80 anos, como “Monrovia, Indiana,” “Ex Libris,” “In Jackson Heights,” “National Gallery,” e “At Berkeley”.

Imagem de "Jackson Heights", sobre uma área do Brooklyn, Nova York: longa foi exibido no Festival do Rio de 2015 — Foto: Divulgação
Imagem de “Jackson Heights”, sobre uma área do Brooklyn, Nova York: longa foi exibido no Festival do Rio de 2015 — Foto: Divulgação

Formando em direito e professor da Universidade de Boston nas década de 1950 e 1960, Wiseman estreou no cinema com “Titicut Follies” (1967). O filme, que expôs as condições desumanas de um hospital psiquiátrico criminal, foi banido durante décadas.

No Brasil, seus filmes costumam ser exibidos em festivais. Em 2001, o É Tudo Verdade realizou uma retrospectiva inédita de sua obra. Seu documentário mais recente, “Menus-Plaisirs – Les Troisgros”, de 2023, estreou no país. O longa retrata a tradição gastronômica francesa pela transição de liderança do chef Michel Troisgros para seu filho, César. Em 2017, recebeu o Oscar Honorário pelo conjunto da obra.

“Eu quis selecionar sistematicamente como temas instituições que são importantes no funcionamento da sociedade americana”, disse Wiseman em uma entrevista de retrospectiva de carreira ao IndieWire, em 2017. “Toda sociedade tem escolas, hospitais, prisões, alguma forma de assistência social, alguma forma de artes; portanto, por um lado, era uma maneira de olhar para a vida americana contemporânea através de instituições que são importantes e que, por implicação, têm suas contrapartes em outros lugares.”

Fachada da Biblioteca Pública de Nova York retratada no documentário "Ex Libris", de 2017 — Foto: Divulgação
Fachada da Biblioteca Pública de Nova York retratada no documentário “Ex Libris”, de 2017 — Foto: Divulgação

Os documentários de Wiseman não faziam uso de narrações em off ou trilhas sonoras, criando conexões visuais entre o indivíduo e a máquina burocrática. O cineasta mergulhava em espaços de trabalho e, com paciência e precisão, revelava a essência dos conflitos humanos neles inseridos. Inserindo-se na escola do “cinema direto”, muitos de seus filmes desafiavam os espectadores por sua longa duração, chegando a até quatro horas.

Sua câmera também se interessava por outros espaços de convívio, como comércios (“The Store”), cabarés (“Crazy Horse”), bairros (“Jackson Heights”, sobre uma área multi-étnica do Queens, em Nova York) e até governos (“City Hall”, sobre a prefeitura de Boston).



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