É possível que você esteja andando e, de repente, surja um grupo de pessoas vestidas como cães e que se comportam como eles. Imediatamente, passam a interagir entre si, brincam, pulam e até latem. O encontro não se limita a um tempo e espaço específicos: depois do momento recreativo, cada um volta para casa andando sobre quatro patas. Bem-vindo ao mundo therian, um fenômeno que vem ganhando cada vez mais espaço no mundo.
O conceito de therian, uma tendência em crescimento, descreve pessoas que se autoidentificam parcialmente como animais, diferenciando-se dos “furries”, que apenas se fantasiam por cosplay. Com raízes nos anos 1990 e ecos ancestrais nas palavras gregas ther (“besta selvagem”) e anthropos (“ser humano”), o fenômeno envolve uma profunda identificação com uma espécie animal.
Essa definição surgiu nos anos 1990, quando grupos de pessoas se autoidentificavam como elfos. A partir daí, apareceu o termo otherkin, que mais tarde deu origem a therian, usado para classificar seres humanos que se percebem como animais, de forma parcial.
Quem integra essa comunidade sente aquilo que representa. Em sua maioria, começaram ainda na infância, quando acreditavam ter membros inexistentes, como orelhas, caudas e até focinho. Até agora, só foram identificados therians mamíferos. Os mais populares são cães, gatos, raposas, entre outros.
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Esse grupo cresceu tanto que passou a ter um fórum de discussão no qual explica aos demais usuários da internet o que significa ser therian.
— Alguns therians desconhecem as causas de sua identificação como não humanos, mas é amplamente conhecido e aceito que a teriantropia em si não é uma escolha. Também se aceita que um therian não pode escolher seu teriótipo. Muitos therians (embora não todos) se identificam com animais que vivem atualmente, embora não seja raro encontrar teriantropos que se identifiquem com animais extintos (paleoterios), criaturas fictícias (fictórios) ou até animais considerados míticos (teriomíticos) — especifica a Wiki Therian.
Embora a tendência tenha começado na década de 1990 e tenha ressurgido com força nos dias atuais, a definição de terios existe há vários séculos. Trata-se de uma antiga crença ligada a humanos-animais com vínculos mitológicos.
— As pessoas que se identificavam como animais eram, em grande parte, isoladas umas das outras até o surgimento das salas de bate-papo na internet, que permitiram a formação de grupos dedicados a furries e therians — apontou um artigo de 2023 do New York Post, quando a vida de Toco, um japonês que vive como um cachorro da raça collie, viralizou.
10 animais mais raros do mundo
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Tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) visto pela primeira vez na história na Costa Rica— Foto: Reprodução/Parismina Domus Dei
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Peixe-mão-rosa (Brachiopsilus dianthus) usa nadadeiras para “andar” no fundo do mar, foi visto apenas quatro vezes desde 1999 na Tasmânia e continua sendo um mistério para a ciência — Foto: Reprodução
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Lagarto Leiolepis ngovantrii foi descoberto no Vietnã, reproduz-se por clonagem sem machos e já era servido em restaurantes locais antes de ser identificado como nova espécie — Foto: Divulgação/Museum Koenig Bonn
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O “sapo dos Simpsons” (Rhinella sp.), descoberto na Colômbia com nariz afilado e um ciclo de vida sem fase de girino, ele lembra o vilão Sr. Burns — Foto: Reprodução/Redes sociais
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O peixe que come madeira, espécie amazônica do gênero Panaque, raspa madeira submersa com dentes fortes, digerindo apenas a matéria orgânica associada e expulsando o resto em poucas horass — Foto: Reprodução/Redes sociais
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O macaco birmanês sem nariz, ameaçado por caça e desmatamento desde sua descoberta em 2010 — Foto: Reprodução/Redes sociais
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A Lesma ninja de Bornéu, de cauda longa e comportamento incomum, dispara “dardos do amor” com hormônios para aumentar o sucesso reprodutivo — Foto: Reprodução/Redes sociais
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O Morcego de nariz tubular (Nyctimene albiventer), encontrado na Papua-Nova Guiné, ajuda a espalhar sementes e é essencial para a regeneração de florestas tropicais — Foto: Reprodução/Redes sociais
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O Polvo roxo das profundezas canadenses, descoberto a 3 mil metros de profundidade, faz parte de um grupo de espécies que revela a riqueza pouco estudada do oceano profundo — Foto: Divulgação/Instituto de Oceanografía de Bedford
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A Sanguessuga Tyrannobdella rex, vinda da Amazônia peruana, mede até 3 cm e tem dentes longos como os do dinossauro que inspira seu nome, mordendo discretamente suas presas — Foto: Reprodução/Redes sociais
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Na lista, um lagarto capaz de clonar a si mesmo, um “sapo dos Simpsons” e outros animais incrivelmente estranhos
De acordo com um relatório do IARP, citado pelo jornal americano, os índices de ansiedade, depressão e outros transtornos de humor não são mais comuns entre furries ou therians do que na população em geral. Da mesma forma, “os furries também não teriam maior probabilidade de ter sido diagnosticados com TDAH, de ter feito uso de medicação psicotrópica ou de ter recebido diagnóstico de alguma condição médica”.
— Esses achados coincidem com outros dados que mostram que os furries não têm maior probabilidade de experimentar fantasias disfuncionais ou delírios do que os não furries — acrescenta o texto.
Vale destacar que, até o momento, não foram realizadas pesquisas capazes de determinar se os therians têm ou não algum transtorno mental. Evita-se essa classificação, e o fenômeno é encarado como mais uma forma de viver e se comportar, já que, na maioria dos casos, não representa distorções da realidade nem causa prejuízo a terceiros.