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Polícia investiga denúncia de estupro coletivo em escola de São Paulo


A Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de estupro coletivo que teria ocorrido em uma escola da Zona Norte de São Paulo. O caso teria sido registrado na região do Jaraguá e é investigado pelo 74º Distrito Policial da capital paulista.

Segundo informações do g1, o caso ocorreu no dia 27 de fevereiro em uma escola estadual. Um jovem de 12 anos de idade teria sido estuprado por quatro adolescentes no banheiro da unidade de ensino. A mãe da vítima procurou a polícia após suspeitar do comportamento do filho.

A mulher teria contado com a ajuda do irmão mais velho do garoto, que relatou que um colega de sala teria retirado a vítima do banheiro após notar um comportamento incomum entre os estudantes que estavam dentro do local.

O irmão conversou com a vítima, que relatou o episódio, que teria contado com a participação de quatro alunos, do 7º ao 9º ano. A mãe procurou a escola em 2 de março, e um encontro com os pais dos supostos agressores foi agendado.

Durante o encontro, um dos meninos apontados como responsável pelo crime teria ameaçado a vítima, dizendo que poderia agredi-lo caso seguisse com a denúncia.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o caso foi inicialmente registrado no 46º DP de Perus e depois encaminhado para o 74º DP do Jaraguá. “A vítima será ouvida no distrito policial juntamente com a responsável para maiores esclarecimentos. Detalhes serão preservados devido à natureza criminal e por envolver menor de idade”, informa a pasta.

O GLOBO procurou a Secretaria Estadual de Educação sobre o caso e aguarda retorno. Em 2025, a cidade de São Paulo registrou 2.190 casos de estupro de vulnerável, índice que foi 1,8% menor que o número de ocorrências registradas no ano anterior. Em 2024, foram 2.231 casos.

Segundo dados do anuário de 2025 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 13,8% das vítimas de estupro de vulnerável no Brasil são meninos. 89% dos estupros contra homens ocorrem antes dos 18 anos de idade e a faixa etária mais afetada é a dos 5 aos 9 anos de idade, que representa 32,8% dos registros no país.

Abuso sexual contra menores na internet

Cerca de 3 milhões de adolescentes, ou 19% dos brasileiros entre 12 e 17 anos, relatam que foram vítimas de exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia em um ano. Isso representa um em cada cinco crianças e adolescentes. O uso de inteligência artificial generativa já é identificado como uma das ferramentas dos abusadores.

Os dados estão na pesquisa Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, divulgada em 4 de março pelo Unicef Innocenti, em parceria com a ECPAT Internacional e a Interpol, com financiamento da Safe Online.

A pesquisa entrevistou 1.029 crianças e adolescentes entre novembro de 2024 e março de 2025. As perguntas consideraram situações vividas pelos entrevistados nos 12 meses anteriores à participação no estudo.

Os dados mostram que os locais onde mais ocorrem esses abusos são redes sociais como Instagram e WhatsApp, além de jogos online. A forma mais comum de violência é o chamado conteúdo sexual não solicitado, que atingiu 14% dos entrevistados.

— Esse tipo de violência, que muitas vezes sequer é considerado uma violência, é bastante normalizado. É quando uma criança ou um adolescente recebe, por exemplo, uma foto de parte íntima ou um material mostrando alguma cena sexual sem ter solicitado — diz a especialista em proteção contra as violências do Unicef Brasil, Luiza Teixeira.

Em seguida aparecem os pedidos de fotos íntimas por parte de agressores, com 9%, e o oferecimento de dinheiro ou presentes em troca de vídeos íntimos, com 5% dos casos. 3% dos entrevistados relataram que foram alvo de conteúdos sexuais falsos, com a criação de imagens ou vídeos com uso de inteligência artificial.

A pesquisa identificou também que os abusadores usam os perfis das redes sociais, como Instagram (em 59% dos casos), Facebook (14%) e jogos online (12%), para buscar as vítimas e fazer um primeiro contato, para depois seguirem as conversas em um ambiente mais privado de mensagens diretas, como o WhatsApp (presente em 51% dos relatos de vítimas), para então solicitar o conteúdo sexual ou cometer outros abusos, como ameaças e extorsões.

34% das vítimas relataram que não contaram a ninguém sobre os abusos. A vergonha e o medo levam ao silêncio das vítimas, que após serem alvo desses abusos, têm cinco vezes mais chances de se automutilarem e de terem pensamentos suicidas dos que os que não sofrem esse tipo de exploração, mostram os dados.

Em nota, a Meta informa que, desde o ano passado, disponibiliza no Brasil as contas de adolescente no Instagram e no Facebook, com configurações mais rígidas de segurança, por padrão, sobre o conteúdo que eles veem e quem pode entrar em contato com eles.

“Utilizamos tecnologia para identificar contas de adultos que demonstraram comportamento potencialmente suspeito – como, por exemplo, contas que foram bloqueadas por adolescentes, interagiram com determinados conteúdos (como salvar e curtir) ou pesquisaram por termos relacionados à segurança de menores. Dificultamos que esses adultos encontrem, sigam ou interajam com Contas de Adolescentes ou contas que apresentam predominantemente crianças, evitando sua recomendação e as excluindo de resultados de buscas”.

A empresa também afirma que oculta comentários de adultos potencialmente suspeitos em conteúdos publicados em contas de adolescentes ou que exibem majoritariamente imagens de menores.

“Também utilizamos essa tecnologia para evitar que contas de adultos potencialmente suspeitos interajam entre si, ajudando a prevenir a formação de conexões – e, a depender do caso, podemos desabilitar essas contas ou restringir seu acesso a produtos e recursos”.



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