Dois homens que estavam em uma moto impediram que um assaltante levasse o celular de um jovem na Avenida Engenheiro Carlos Carvalho, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, na última terça-feira (10). A cena foi filmada e narrada por uma pessoa que estava passando de carro na hora em que os motociclistas abordaram o assaltante, recuperaram o aparelho e devolveram-no para a vítima.
Tudo aconteceu por volta das 17h, horário de rush, num ponto de grande movimento da Avenida Engenheiro Carlos Carvalho (trecho rebatizado da Avenida Embaixador Abelardo Bueno), a poucos metros do Shopping Metropolitano e de uma estação do BRT. Segundo Rafael Barbosa — que presenciou o acontecimento e gravou o vídeo dentro do seu carro, enquanto estava preso no trânsito —, a principio ele pensou que os dois homens na moto é que estavam praticando assaltos e perseguindo um rapaz de camisa vermelha. Mas, assim que começou a filmar, ele percebeu que a cena que estava presenciando era bem diferente.
— Um jovem que estava na estação do BRT começou a gritar “ladrão, ladrão”, e logo depois a moto se aproximou de um cara (o assaltante) que estava até bem vestido. Eles começaram a dar uma lição de moral no cara, pegaram o celular e foram até o rapaz que havia gritado para devolver o aparelho. Foi aí que eu percebi que os motociclistas eram na verdade os heróis, e não os assaltantes — conta.

Motociclista e garupa recuperam celular roubado e devolvem para a vítima na Barra
Embora sirenes da polícia estivessem sendo ouvidas, Rafael — que se mudou para Guapimirim, interior do estado do Rio, justamente por conta da criminalidade na capital — disse que não conseguiu ver se a polícia alcançou e abordou o assaltante.
Em entrevista ao GLOBO-Barra, o homem que dirigia a moto e ajudou a recuperar o celular, que preferiu não se identificar, contou que estava voltando de uma loja de autopeças, já fazendo o retorno para entrar na Linha Amarela, quando escutou os gritos de “pega ladrão” e avistou o suspeito.
— Assim que vi o cara (o assaltante) correndo com um telefone na mão, eu tentei jogar a moto para tentar fazê-lo parar, mas acabei não conseguindo. Decidimos ir atrás dele subindo na calçada, pegando a contramão e, por fim, ao atravessar a pista, já no sentido Barra, conseguimos alcançá-lo. Mas acho que ele só parou quando eu menti que estava armado e disse que se ele não parasse iria atirar — detalha.
Perguntado sobre o risco de o criminoso, este sim, estar com algum tipo de arma, o motociclista disse que só fez a abordagem por ter certeza de que o assaltante não estava armado, “pela forma que ele estava correndo”.
— O que eu agradeço é que na hora não tivesse nenhum policial à paisana ou qualquer outra pessoa que achasse que eu é que estava assaltando. Acho que foi esse o risco que corri — disse ele.
Após devolver o telefone, o motociclista se chateou porque o jovem nem lhe agradeceu, mas ponderou dizendo que “já perdeu um telefone num assalto e sabe como é”. Ainda de acordo com o motociclista, esta foi a primeira vez que ele perseguiu um criminoso.
Procurada, a Polícia Civil não respondeu ao contato até o fechamento desta reportagem. Já a Polícia Militar não comentou o caso.