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A vitória de um homem plácido


Amanhã, dia 8 de fevereiro, asseguram todas as sondagens, os portugueses elegerão um presidente socialista. Trata-se de um fato extraordinário, sobretudo porque, pela primeira vez nos 50 anos de história da democracia portuguesa, o país vive sob uma ampla maioria de direita.

O socialista António José Seguro — um homem que jamais se destacou, nem por feitos notáveis nem por defeitos ruidosos — conseguiu chegar ao segundo turno graças à vaidade irreprimível do líder da direita selvagem, André Ventura.

Ao insistir em manter a própria candidatura, Ventura impediu que um dos vários candidatos da direita democrática alcançasse o segundo turno e derrotasse o socialista. A primeira vítima da direita totalitária continua sendo a direita democrática.

As eleições transformaram-se, assim, num verdadeiro plebiscito sobre o regime democrático. António José Seguro recebeu o apoio explícito não apenas de toda a esquerda, mas também das principais figuras da direita democrática, incluindo Aníbal Cavaco Silva e Paulo Portas. Cavaco Silva — ex-presidente da República e antigo líder do Partido Social Democrata (PSD) — justificou seu voto afirmando ver em Seguro “uma pessoa honesta e educada, qualidades de um político que continuo a valorizar muito”.

Paulo Portas, ex-líder do CDS, Centro Democrático e Social, e um dos mais influentes comentaristas políticos do país, foi ainda mais direto e mais ácido: “Com António José Seguro terei divergências doutrinárias. Com o outro candidato, aquele que grita muito, as divergências são de outra ordem: ele não olha para o ser humano como deveria. Não quero um país dividido por cores, religiões ou nacionalidades. Não precisamos de uma imitação de Trump em Portugal.”

Até o momento, o único apoio recebido por André Ventura veio do Grupo 1143, uma organização assumidamente nazista, cujo líder, Mário Machado, encontra-se detido. Recentemente, o grupo foi alvo de uma operação policial, sob suspeita de preparar atentados terroristas. Ventura não se manifestou horrorizado com o apoio dos nazis.

Há alguns meses, quando António José Seguro anunciou sua candidatura, quase ninguém acreditava que ele tivesse a menor chance de sucesso. O candidato socialista não contava sequer com o apoio formal do próprio partido. Pouco a pouco foi subindo nas pesquisas, beneficiando-se da atuação medíocre de outros candidatos nos debates e, sobretudo, de certas características de sua personalidade que, se no início eram vistas como defeitos, hoje começam a ser reconhecidas como virtudes: a placidez com que reage às provocações mais agressivas, a cordialidade com que trata todos à sua volta e, em especial, a recusa em adotar posições ideológicas extremadas.

Os algoritmos favorecem os candidatos radicais. Os furiosos. Os indignados profissionais. Os brutos. Os rudes. Aqueles que gritam mais alto. Os que se opõem a tudo, sem jamais apresentar soluções.

A vitória quase certa de António José Seguro parece representar, portanto, uma derrota dos algoritmos e, ao mesmo tempo, um surpreendente triunfo da gentileza. Só por isso, já é uma excelente notícia.



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