O chefe da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing, foi nomeado presidente nesta sexta-feira, em uma decisão já aguardada após um processo eleitoral questionado pela comunidade internacional, que permite prolongar seu controle do país sob uma fachada de governo civil. O resultado da votação em um parlamento amplamente favorável aos militares não deixa margem para dúvidas: Min Aung Hlaing recebeu 429 dos 584 votos e seguirá à frente da nação do sudeste asiático.
O general, de 69 anos, derrubou em um golpe de Estado em 2021 o governo eleito da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, detida desde então. A manobra mergulhou o país em uma guerra civil. Antes do golpe, Min Aung Hlaing já era uma figura polêmica no cenário internacional por seu papel na repressão contra a minoria rohingya em 2017, que provocou sanções contra o militar e acusações de crimes contra a humanidade.
O pleito foi denunciado por vários países e observadores internacionais como uma manobra para garantir uma transferência de poder do Exército para o próprio Exército, sob uma fachada de regime civil. Min Aung Hlaing “não tem legitimidade, mas busca desesperadamente aparentar que a tem”, afirmou na segunda-feira o analista Naing Min Khant, quando já não havia dúvidas sobre as ambições presidenciais do general.