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‘Chocadeira’? Estudo explica por que ovos de dinossauros não aqueciam por igual e filhotes nasciam em tempos diferentes


Você já imaginou um dinossauro tentando chocar ovos como uma galinha, mas sem conseguir aquecer todos ao mesmo tempo? Foi essa a pergunta que guiou um grupo de cientistas ao revisitar os hábitos reprodutivos dos oviraptorídeos, dinossauros terópodes com aparência semelhante à de aves.

Esses animais viveram no período Cretáceo, entre 70 e 66 milhões de anos atrás, e apresentavam corpo leve, bico sem dentes, membros longos e, em algumas espécies, penas. Apesar de botarem ovos em ninhos, não eram capazes de voar. Fósseis encontrados principalmente na Ásia, em regiões como o Deserto de Gobi e a província chinesa de Guangdong, mostram que construíam estruturas semiabertas, diferentes das de aves e crocodilos atuais.

Segredos de um ninho ancestral

Para entender como esses dinossauros incubavam seus ovos, pesquisadores liderados por Chun-Yu Su, da Universidade Nacional Tsing Hua, em Taiwan, reconstruíram ninhos com ovos artificiais e criaram um modelo em tamanho real de um oviraptor. Sensores foram usados para medir a distribuição de calor, enquanto simulações computacionais testaram diferentes cenários, incluindo variações de postura do animal e condições ambientais.

Os resultados, publicados na revista Frontiers in Ecology & Evolution, nesta segunda-feira (16), indicam que o calor não era distribuído de forma uniforme. O adulto não conseguia manter contato com todos os ovos, e os que ficavam nas bordas do ninho atingiam temperaturas mais altas do que os do centro — com diferenças de até 6 graus em ambientes frios. Mesmo em condições mais quentes, a variação persistia, ainda que menor.

O modelo em tamanho real de oviraptor e os ninhos reconstruídos permitiram aos pesquisadores analisar a distribuição de calor nos ovos fossilizados — Foto: Divulgação/Chun-Yu Su
O modelo em tamanho real de oviraptor e os ninhos reconstruídos permitiram aos pesquisadores analisar a distribuição de calor nos ovos fossilizados — Foto: Divulgação/Chun-Yu Su

Na prática, isso significa que os ovos não se desenvolviam no mesmo ritmo. A eclosão ocorria de forma assíncrona, com filhotes nascendo em momentos diferentes, um padrão distinto do observado na maioria das aves modernas, que conseguem manter temperaturas mais estáveis durante a incubação.

O estudo também aponta que o calor corporal do oviraptorídeo era insuficiente para aquecer todos os ovos, tornando a energia do ambiente, como a radiação solar, um fator relevante. Esse modelo de incubação, segundo os autores, seria menos eficiente e representa um estágio intermediário entre o comportamento de crocodilos, que enterram seus ovos, e o das aves, que utilizam contato direto.

Os cientistas ressaltam que os resultados não devem ser generalizados para todos os dinossauros, já que o experimento se baseia em uma espécie específica. Ainda assim, a pesquisa ajuda a lançar luz sobre a evolução do cuidado parental, conectando comportamentos de répteis antigos às estratégias adotadas pelas aves atuais.



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