A presidência brasileira da COP30 decidiu abrir consultas públicas para a elaboração dos documentos que vão orientar a transição energética e o combate ao desmatamento no planeta. As propostas serão encaminhadas à presidência da COP 31, que será na Turquia. A conferência no Pará terminou sem consenso sobre os chamados “Mapas do Caminho”.
As contribuições para os roadmaps começaram a ser recebidas em fevereiro e podem ser enviadas até terça-feira (31, amanhã). Países, observadores, representantes da sociedade civil e do setor privado estão aptos a participar do processo, com sugestões voltadas a dois eixos principais: o Mapa do Caminho para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis de forma justa, ordenada e equitativa; e o Mapa do Caminho para o Fim e a Reversão do Desmatamento e da Degradação Florestal até 2030.
Um dos principais cientistas climáticos do país, Carlos Nobre, defende a aceleração imediata da transição energética para evitar um agravamento irreversível do aquecimento global.
– Precisamos lutar muito para demonstrar que o planeta está muito próximo de um ‘ecocídio’: um suicídio ecológico, se não acelerarmos o fim do uso de combustíveis fósseis e reduzirmos todas as emissões.
Segundo o pesquisador, além da redução das emissões de carbono, é fundamental mitigar o metano, gás associado aos combustíveis fósseis e responsável por cerca de um terço do aquecimento global.
– Dos 1,5ºC de aquecimento que presenciamos, cerca de meio grau é o metano- diz.
Ainda de acordo com Nobre, projeções indicam que, sem ação rápida, a temperatura média global pode subir até 2,5ºC até 2050