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Declaração de empréstimo consignado no IRPF exige atenção


A grande confusão das pessoas é achar que o dinheiro do empréstimo vai fazer com que elas paguem mais imposto. Como o valor entra na conta corrente, o contribuinte se assusta e acha que é uma renda, explica Robson Carrera, CEO da Carrera Carneiro. A empresa atua como correspondente bancário, prestando serviços de recepção e encaminhamento de propostas para instituições financeiras.

“A dúvida principal é sempre como mostrar para a Receita Federal que aquele dinheiro não é um ganho, mas sim uma dívida que a pessoa ainda vai pagar ao longo dos anos. Quando você declara o empréstimo, você justifica e prova para a Receita que o seu patrimônio cresceu porque você pegou dinheiro emprestado no banco, e não porque sonegou imposto. Isso evita cair na malha fina por ‘variação patrimonial a descoberto'”, diz Carrera.

O erro mais frequente, segundo ele, é declarar o empréstimo na ficha errada do IRPF. Muitas pessoas colocam o consignado nos Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, quando o correto é colocá-lo na ficha de dívidas e ônus reais. O segundo erro mais comum é somar todas as parcelas que faltam a pagar, incluindo os juros futuros, e declarar como o total da dívida.

“O certo é informar apenas o ‘saldo devedor’ exato no dia 31 de dezembro do ano anterior, exatamente como consta no informe de rendimentos que o banco envia para a sua casa ou disponibiliza no aplicativo”, ressalta Carrera.

Em 2025, estima-se que cerca de R$ 100 bilhões tenham sido concedidos em crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada no país. O dado foi divulgado no final do ano pelo então secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, segundo a CNN.

Na visão de Carrera, o período do Imposto de Renda pode ser uma oportunidade para o contribuinte revisar a saúde financeira. Isso porque, nessa época, ele reúne toda a papelada, levanta extratos e olha o saldo devedor de todos os empréstimos.

“Esse processo acaba sendo um excelente raio-x das finanças da família. Ao ver o tamanho real das dívidas na tela do computador, a pessoa toma um choque de realidade positivo. É o momento perfeito para ver quanto da renda mensal já está comprometida e tomar a decisão de renegociar contratos e parar de pegar novos empréstimos”, pontua o CEO da Carrera Carneiro.

Nesse ponto, ele destaca a importância da educação financeira como um “escudo protetor” contra o endividamento do cidadão. “O consignado é o crédito mais fácil e barato do mercado, e exatamente por isso as pessoas costumam pegar todo o limite liberado de uma vez só. Quando o cidadão entende suas finanças, ele para de olhar apenas se a parcela cabe no bolso hoje e passa a calcular o custo total daquela dívida no longo prazo”, acrescenta.

Para quem já possui um consignado e deseja melhorar suas condições contratuais, Carrera orienta que seja feita a chamada portabilidade de crédito. Se a pessoa contratou um consignado no passado com taxas de juros mais altas do que as de hoje, ela pode transferir essa dívida para outro banco que cobra menos. Ao fazer a portabilidade, é possível reduzir o valor da parcela mensal, aliviando o orçamento de todo mês, sem precisar aumentar a dívida total. Essa opção é um direito e não traz custos extras, informa Carrera.

“Se você ainda está avaliando contratar um empréstimo consignado, a regra de ouro antes de assinar o contrato é analisar o Custo Efetivo Total (CET), a taxa real e final que vai ser cobrada, e não apenas o juro mensal da propaganda. Lembre-se sempre de que a parcela do consignado é descontada na raiz, direto na fonte pagadora. Isso significa que o seu salário ou o seu benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai vir menor nos próximos anos”, diz ele.

“Portanto, tenha certeza absoluta de que você conseguirá pagar as outras contas básicas, como alimentação e remédios, mesmo ganhando menos todo mês”, finaliza o CEO da Carrera Carneiro.



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