O filho da princesa herdeira Mette-Marit da Noruega negou, nesta terça-feira (10), que a suposta vítima do segundo de quatro estupros, dos quais é acusado, estivesse dormindo no momento dos fatos, descritos por ela como “o pior pesadelo”. Nascido de uma relação anterior ao casamento de sua mãe com o príncipe herdeiro Haakon, Marius Borg Høiby é julgado desde a semana passada por 38 acusações, incluindo quatro estupros e agressões contra ex-parceiras.
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O réu de 29 anos nega as acusações mais graves, em particular os supostos estupros, que poderiam resultar em uma pena de até 16 anos de prisão.
Nesta terça-feira, o tribunal de Oslo começou a examinar o segundo suposto estupro que, segundo a acusação, teria ocorrido em 8 de outubro de 2023, após uma festa em um apartamento nas ilhas Lofoten, onde Høiby e o príncipe Haakon se hospedavam para praticar surfe.
Depois de manter relações sexuais consensuais, a suposta vítima, uma jovem que ele conheceu por meio do aplicativo Tinder, afirma ter acordado enquanto Høiby iniciava novos atos sexuais, desta vez sem sua permissão.
— O pior pesadelo da minha vida — declarou, antes de afirmar que fechou os olhos “para não ter que presenciar” a própria agressão.
— Lembro de ter acordado enquanto ele estava em ação. Eu pensei: ‘Não entendo como alguém pode ter relações sexuais com uma pessoa que está dormindo’ — explicou.
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Para demonstrar que os atos aconteceram quando a jovem não estava em condições de expressar oposição, o Ministério Público apresentou um vídeo, apreendido na casa de Høiby e que ele havia gravado com seu telefone.
Segundo o promotor Sturla Henriksbø, o trecho de cinco segundos mostra a jovem dormindo no momento do crime. A suposta vítima protestou contra as imagens, gravadas, segundo ela, sem seu conhecimento.
A Promotoria também anexou ao processo os dados de seu relógio que mede batimentos cardíacos para provar que estava dormindo. “Segundo a acusação, a evolução da frequência cardíaca constitui o elemento mais determinante”, destacou Henriksbø.
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A defesa confrontou a suposta vítima com inconsistências entre seu depoimento de terça-feira e suas declarações anteriores à polícia, apontando que, no início, ela havia afirmado aos investigadores não sentir que tinha sido submetida a atos ilícitos.
— Eu estava acordada quando tive relações sexuais com ela — declarou Høiby no banco das testemunhas, antes de se corrigir: “quando tivemos relações sexuais”.
— Se tivemos relações três ou quatro vezes antes, e eu a acordei todas as vezes, por que diabos eu teria feito isto sem acordá-la da última vez? — ressaltou.