A embaixada dos Estados Unidos no Iraque pediu que cidadãos americanos deixem o país “imediatamente”, após um ataque contra o complexo diplomático em Bagdá neste sábado. Em um alerta de segurança atualizado, a missão diplomática afirmou nas redes sociais que cidadãos americanos devem reconsiderar a permanência no país “à luz da ameaça significativa representada por milícias terroristas alinhadas ao Irã”.
A embaixada também orientou que americanos não tentem ir ao prédio da missão em Bagdá nem ao consulado-geral em Erbil, citando “o risco contínuo de mísseis, drones e foguetes no espaço aéreo iraquiano”: “Milícias terroristas alinhadas ao Irã têm atacado repetidamente a Zona Internacional”, escreveu a embaixada no X, referindo-se ao setor fortemente protegido no centro de Bagdá que abriga edifícios governamentais e representações diplomáticas.
O alerta foi emitido depois que o complexo da embaixada em Bagdá foi atingido por um ataque na manhã de sábado. Um jornalista da AFP relatou ter ouvido explosões e visto uma nuvem de fumaça preta se elevar sobre o prédio da missão diplomática. Duas autoridades de segurança disseram à agência que o complexo foi atingido por um drone. A embaixada ainda não comentou publicamente o incidente.
Outros relatos indicaram que o ataque pode ter envolvido um míssil que atingiu um heliponto dentro do complexo e destruiu o sistema de defesa aérea da embaixada, segundo uma fonte de segurança iraquiana citada pela al-Jazeera. Não houve registro de feridos.
É a segunda vez que a embaixada americana em Bagdá é alvo de um ataque desde o início da guerra regional. Fontes de segurança também afirmaram que um ataque com drone teve como alvo o complexo do aeroporto de Bagdá — que abriga uma base militar e uma instalação diplomática americana —, mas foi interceptado. Um drone que caiu provocou um grande incêndio do lado de fora da área, segundo uma fonte.
A escalada ocorre em um momento em que o Iraque volta a ser palco de confrontos indiretos entre Estados Unidos e Irã. O país há anos é considerado um campo de disputa entre as duas potências, por meio de milícias armadas e aliados regionais.
Vários grupos armados apoiados por Teerã, classificados por Washington como “organizações terroristas”, atuam sob uma coalizão conhecida como Resistência Islâmica no Iraque. Desde o início do atual conflito, em fevereiro, esses grupos reivindicaram ataques diários com drones e foguetes contra bases americanas no Iraque e em outras partes da região.
Pouco antes do ataque à embaixada, dois bombardeios atingiram integrantes do poderoso grupo Kataeb Hezbollah em Bagdá e mataram três de seus membros, incluindo um comandante. O primeiro ataque atingiu uma casa no bairro de Arasat, onde vários grupos alinhados ao Irã mantêm presença. Duas horas depois, um segundo bombardeio atingiu um veículo no distrito de Nahrawan.
Inicialmente, fontes de segurança disseram que dois integrantes do grupo haviam sido mortos, incluindo “uma figura-chave” que estava na casa, e outro no ataque ao veículo. Posteriormente, o número de mortos foi revisado para três, todos vítimas do bombardeio contra a residência, segundo uma fonte pró-Irã. O Kataeb Hezbollah realizou uma procissão fúnebre em Bagdá para os combatentes mortos, entre eles Abou Ali al-Amiri.
Relatos da imprensa local sugeriram que o principal líder do grupo, Ahmad al-Hamidawi, pode ter ficado ferido no ataque à casa, informação que não foi confirmada de forma independente. Uma fonte pró-Irã afirmou que o bombardeio foi uma tentativa de “assassinato direcionado”, enquanto um morador do bairro de Arasat disse à AFP que “ninguém no bairro sabia que a casa, que é muito modesta, estava ocupada pelo Kataeb Hezbollah”.
Nenhuma das fontes ouvidas indicou quem estaria por trás dos ataques contra o grupo armado, e o Kataeb Hezbollah não comentou o caso.
A situação ocorre em meio à guerra regional iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã. Desde então, Teerã respondeu com ataques de mísseis e drones contra bases americanas e parceiros dos EUA no Golfo. O conflito já levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás do mundo, provocando forte alta nos preços.
Diante da escalada, o Departamento de Estado dos EUA também orientou cidadãos americanos a deixarem diversos países da região, incluindo Bahrein, Egito, Irã, Israel, Cisjordânia, Gaza, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos e Iêmen, citando “sérios riscos de segurança”. Autoridades americanas também têm recomendado que cidadãos dos EUA no Oriente Médio se desloquem por terra até locais de onde ainda estejam partindo voos comerciais. (Com AFP)