Washington restabelecerá as relações diplomáticas com Caracas, informou nesta quinta-feira o Departamento de Estado dos EUA, em um sinal de distensão após a derrubada do ex-presidente Nicolás Maduro em uma operação americana em janeiro. O acordo dos países, segundo a pasta americana, tende a criar estabilidade, além de promover uma reestruturação econômica e reconciliação política no país latino.
“Os Estados Unidos e as autoridades interinas da Venezuela concordaram em restabelecer as relações diplomáticas e consulares. Este passo facilitará nossos esforços conjuntos para promover a estabilidade, apoiar a recuperação econômica e avançar na reconciliação política na Venezuela”, afirmou o Departamento de Estado em um comunicado.
“Nosso compromisso está orientado a ajudar o povo venezuelano a avançar por meio de um processo por etapas que crie as condições para uma transição pacífica rumo a um governo eleito democraticamente”, acrescentou.
Com menos de uma semana depois da captura de Maduro, o governo venezuelano já havia anunciado a retomada dos contatos diplomáticos diretos com os EUA, pontuando que o objetivo era “restabelecer as missões diplomáticas em ambos os países”. Algo que se concretiza agora.
Em um comunicado cuidadoso, feito para equilibrar a leitura da decisão tanto dentro quanto fora do país, o governo afirmava que o restabelecimento das embaixadas tem o “propósito de abordar as consequências da agressão e do sequestro do presidente e da primeira-dama [Cilia Flores], assim como abordar uma agenda de trabalho de interesse mútuo”.
Na prática, a medida era a base para a normalização das relações diplomáticas entre os dois países, quase 16 anos depois de os EUA retirarem seu embaixador de Caracas e quase sete anos desde o rompimento oficial dos laços diplomáticos, durante o primeiro governo de Donald Trump.
Desde a derrubada de Maduro, Trump também aumentou a pressão sobre a Colômbia e o México, afirmando que os dois governos de esquerda são lenientes com o narcotráfico. Alegação similar foi a base para justificar a ação contra Maduro, que é denunciado por conspiração para o narcoterrorismo e por uso de armas para proteger operações de tráfico.
(Com AFP e New York Times)