O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda a possibilidade de fazer um aporte a Cuba, com foco na área humanitária, especialmente no envio de alimentos e remédios. A avaliação interna é que a situação na ilha se agravou nos últimos meses e pode se tornar ainda mais delicada.
Segundo interlocutores que acompanham o tema em Brasília, a situação de Cuba deve ser tratada na conversa entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para o próximo mês, em Washington. Eles observam que a forma como o assunto será levado dependerá da evolução do quadro na ilha caribenha.
A administração do presidente dos EUA tem bloqueado o fornecimento de petróleo à ilha e ameaçado aplicar tarifas a países que continuem a fornecer óleo a Cuba. A medida tem agravado a escassez de combustível, provocado racionamentos de energia e levado ao cancelamento de voos por falta de jet fuel no país.
A situação de desabastecimento de comida e remédios em Cuba se soma à crise energética — o país enfrenta dificuldades para manter o fornecimento de petróleo e combustíveis essenciais, impactando transporte, serviços básicos e a vida cotidiana de seus cerca de 11 milhões de habitantes. A Embaixada do Brasil em Havana acompanha diariamente relatos sobre as dificuldades enfrentadas pela população. Existem cerca de 150 brasileiros residindo na ilha caribenha.
O governo brasileiro avalia que, a exemplo do que fez o México, pode ser necessário um esforço para mitigar os efeitos mais imediatos da crise, sobretudo nas áreas de saúde e abastecimento alimentar. Ainda não há definição sobre o formato, o volume ou o momento de eventual apoio, e qualquer anúncio é considerado prematuro. A possibilidade, no entanto, está em análise.
Interlocutores a par do assunto afirmam que o governo cubano informou não ter condições de manter o fornecimento de combustível para determinadas operações, o que afeta não apenas o turismo e o transporte de passageiros, mas principalmente o transporte de mercadorias, realizado em grande parte por navios. A escassez de combustível impacta diretamente a distribuição de bens essenciais.
Integrantes do governo brasileiro destacam que a preocupação central é humanitária. Cuba, que já enfrenta há décadas restrições econômicas e dificuldades de abastecimento, tem visto a situação relacionada à produção e ao fornecimento de alimentos e medicamentos se agravar nos últimos meses. A interrupção de fluxos energéticos, especialmente da Venezuela, somada ao anúncio de sanções tarifárias contra países que mantenham relações com a ilha, tende a intensificar esse quadro.