Em 1967, Glauber Rocha foi a Brasília com Luiz Carlos Barreto para liberar a exibição de “Terra em transe”, lançado naquele ano e inicialmente vetado pela ditadura. Foram necessárias algumas audiências e a exposição do filme a um censor, baiano como o cineasta, que convenceu o chefe, o coronel José Mário Whitaker Pinto, a mudar de ideia. O argumento? Dado o hermetismo do longa, ninguém entenderia nada, avaliou o censor.
Para não se desmoralizar, o coronel exigiu um ajuste: o padre armado que aparece no final precisava de um nome para não parecer que representava a própria Igreja Católica. Glauber sugeriu que se chamasse Padre Camilo, homenagem a um religioso pioneiro da Teologia da Libertação.
A história é contada em “Chame o ladrão” (Record), no qual o jornalista Miguel de Almeida revela como músicos, escritores e cineastas encontraram formas insólitas de driblar a censura durante a ditadura. O livro está previsto para ser lançado em junho.