Após três dias de buscas por Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de 14 anos, a mãe do adolescente usou as redes sociais para informar que o corpo do filho foi encontrado nesta quarta-feira (1º). O jovem, morador de Santíssimo, na Zona Oeste do Rio, estava desaparecido desde a tarde do último domingo, após ir com dois amigos à comunidade Cesar Maia, em Vargem Pequena, para encontrar uma menina que teriam conhecido na praia.
Segundo informações preliminares, o corpo foi localizado na noite desta quarta-feira na Estrada do Gabinal, na altura do Pechincha, na Zona Sudoeste do Rio.
De acordo com familiares de Ronaldo, ele e os dois amigos foram até a comunidade para encontrar a jovem. No local, um dos rapazes entrou em um imóvel com a menina com quem havia marcado o encontro, enquanto Ronaldo e o outro adolescente aguardavam do lado de fora. Ainda segundo a família, os dois teriam sido hostilizados por outros adolescentes da região e decidiram chamar o amigo para deixar o local. “Vocês são alemão, né?” e “mete o pé, alemão”, ouviram.
Depois disso, já em um ponto de ônibus fora da comunidade, os três teriam sido abordados por criminosos locais. Homens em motocicletas mandaram que os adolescentes subissem nos veículos e os levaram de volta para a comunidade. Lá, os três teriam sido levados para um terreno abandonado, onde foram amarrados e torturados. Dois deles foram liberados, mas Ronaldo permaneceu sob poder dos criminosos.
— Um dos meninos que estava com Ronaldo disse que liberaram ele e o outro rapaz, mas ficaram com meu irmão, sem dar explicações. Ele falou que já tinham sido agredidos de diversas formas — revelou a irmã mais velha de Ronaldo.
O desaparecimento foi registrado inicialmente na 32ª DP (Taquara), e o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). Na manhã de quarta-feira, amigos e parentes do rapaz chegaram a fazer um protesto, pedindo justiça. Segundo a família, o corpo agora está no Instituto Médico-Legal (IML). O enterro deve ocorrer na sexta-feira.
Procurada, a Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação, mas, até o momento, não confirmou oficialmente a localização do corpo. A família pede justiça.
— Espero que seja feita alguma justiça, seja a dos homens ou a de Deus. Meu irmão era trabalhador, sonhador, sem qualquer envolvimento. Era um menino bom. Ainda não acredito que isso aconteceu — disse Sthefanny, irmã mais velha de Ronaldo.
Ronaldo morava com a mãe em Santíssimo, na Zona Oeste da capital. Usava a bicicleta para trabalhar como entregador e também era atleta de muay thai. Apaixonado por carros e motos, sonhava em se tornar mecânico.