Em visita à capital fluminense nesta quinta-feira, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, afirmou que o governo monitora com atenção os possíveis reflexos do conflito no Irã sobre o fluxo turístico brasileiro. Entre as principais preocupações está o encarecimento das passagens aéreas decorrente da alta global do petróleo. No entanto, o ministro ressaltou que, até o momento, não foram detectados impactos significativos na chegada de visitantes estrangeiros.
— Sempre tratamos guerras com muita delicadeza. Felizmente o Brasil não está envolvido nesses conflitos. Até agora não observamos impactos drásticos na chegada de turistas ao país, mas estamos monitorando a situação com atenção — disse o ministro.
Feliciano acrescentou que o governo espera que as tensões internacionais sejam resolvidas rapidamente para evitar efeitos sobre o setor.
— Esperamos que esse momento passe logo e que a paz prevaleça, para que o turismo não sofra prejuízos — afirmou.
As declarações foram feitas durante a abertura do TurisMall, realizado no Museu do Amanhã.
Também presente no encontro, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, afirmou que o turismo tende a ganhar força em regiões consideradas seguras em meio a conflitos internacionais e defendeu o setor como instrumento de integração entre países.
— Ninguém quer guerra. O turismo é justamente o contrário da guerra. As pessoas viajam para viver experiências positivas e conhecer novas culturas — disse Freixo.
Apesar do cenário de instabilidade em algumas regiões do mundo, o ministro destacou que o turismo brasileiro vive um momento de expansão. Segundo ele, o país registrou crescimento de 37% na chegada de turistas estrangeiros em 2025, um dos maiores desempenhos do setor no mundo.
— Isso é fruto de muito trabalho, planejamento e inteligência desenvolvida pela Embratur. Agora começamos a colher esses frutos — afirmou.
Feliciano também citou o avanço do turismo doméstico. De acordo com o ministro, janeiro de 2026 registrou recorde de movimentação desde o início da série histórica, em 2000, com alta de quase 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ele afirmou ainda que um dos desafios do governo é ampliar o crescimento do setor com inclusão social. Entre as iniciativas mencionadas estão o desenvolvimento de rotas de turismo indígena e quilombola, além do lançamento de um guia voltado para mulheres que viajam sozinhas.
— É importante que o turismo cresça com responsabilidade social, e esse é um compromisso do governo federal — disse.
O TurisMall é uma plataforma multi-eventos que, ao longo de três dias, ativa alguns dos principais equipamentos turísticos e culturais da cidade do Rio de Janeiro, entre eles o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio, a Casa Firjan, a Associação Comercial do Rio de Janeiro, o Copacabana Palace, o Roxy Dinner Show e o auditório da Organização Mundial do Turismo.
O evento reúne cerca de 720 secretários de turismo de todo o país e promove capacitações, encontros institucionais e debates sobre o futuro do setor. Entre os participantes estão 45 cônsules no Encontro do Corpo Diplomático, mais de 20 desembargadores, 27 Convention & Visitors Bureaux, a diretoria da ABEOC e mais de 60 associados da entidade, além de cerca de 1.800 agentes de viagens.
A CEO do evento, Mônica Medeiros, afirmou que a proposta do TurisMall é aproximar governos e iniciativa privada para discutir soluções para o futuro do turismo.
— A ideia do evento é conectar políticas públicas e parcerias privadas para que a gente discuta, durante três dias, como melhorar o turismo de amanhã pensando nas soluções de hoje — disse.
Segundo ela, o encontro reúne gestores públicos e representantes da indústria do turismo em atividades distribuídas por diferentes pontos da cidade.
— Hoje temos cerca de 720 secretários de turismo espalhados pelo Rio de Janeiro participando de caravanas, capacitações e debates sobre temas como audiovisual e inovação no turismo — afirmou.
Mônica acrescentou que o evento também busca reforçar o papel do turismo como instrumento de cooperação internacional em um cenário de instabilidade geopolítica.
— Mesmo com algumas dificuldades internacionais, muitos países estão vindo justamente para debater como o turismo pode contribuir para a diplomacia e para a paz — disse.