O Ministério Público Federal (MPF) anunciou nesta terça-feira que irá investigar a trend de vídeos misóginos que circulam nas redes sociais batizada de “quando ela diz não”. O órgão destacou que o Tik Tok é a rede pela qual a maior parte dessas gravações circulam.
— Os conteúdos contribuem para a naturalização simbólica da agressão de gênero e fortalecem discursos de ódio no ambiente digital, tornando urgente a avaliação do papel das empresas de tecnologia na moderação dessas veiculações —, disse o procurador federal dos Direitos Humanos, Nicolao Dino.
O caso foi enviado por Dino o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão no Distrito Federal que deverá instaurar o procedimento para investigar o caso e tomar outras providências que julgar cabíveis. O despacho também foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial no Combate aos Crimes Cibernéticos.
A Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal já tinha dado início um inquérito para investigar usuários das redes sociais que publicam vídeos da trend. A decisão ocorre após a Advocacia-Geral da União (AGU) ter acionado a corporação. As publicações que fazem apologia à violência contra a mulher se espalharam na internet, mostram homens simulando socos, chutes e facadas para caso de recusa em relacionamentos.
A investigação foi revelada pelo blog Julia Dualibi, do g1. Nos vídeos, os homens simulam uma abordagem romântica, como um pedido de namoro ou casamento. Após a frase “treinando caso ela diga não” aparecer na tela, os criadores de conteúdo encenam reações agressivas para lidar com a possível rejeição.
A AGU argumenta que as postagens tiveram origem em quatro perfis no TikTok, já tendo sido removidos da plataforma. O órgão sustenta que os responsáveis pelas postagens devem ser investigados por incitar a crimes de gênero.
Para a AGU, “a circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres”.