O polêmico Otto Lobo, indicado por Lula em dezembro para a presidência da CVM, apesar da oposição de Fernando Haddad, foi citado em situação embaraçosa numa delação premiada de 2019 sobre casos de fraudes financeiras em fundos de pensão, como o Postalis e o Serpros.
A delação de Martin Fernando Cohen era centrada nos negócios do seu então sócio na empresa ATG, Arthur Pinheiro Machado, que chegou a ser preso (depois solto por Gilmar Mendes) numa operação da PF. Pinheiro Machado era apontado como “líder da organização criminosa responsável por desviar recursos dos fundos de pensão”.
De acordo com Cohen, o indicado por Lula para comandar a CVM era “pessoa importante na questão patrimonial de Arthur Pinheiro Machado”. Eis o que consta da delação:
“Arthur disse ao colaborador que Otto sabe onde todo dinheiro do Arthur está alocado. Otto é o advogado pessoal do Arthur”.
Hoje, o TCU analisa uma representação do Ministério Público junto à Corte que pede o envio de alerta ao Senado sobre a indicação de Lobo para a presidência da CVM. O plenário vai analisar se a representação pode ser objeto de apuração ou se será arquivada.
A indicação de Lobo foi apadrinhada por uma turma que vai de Guido Mantega a Joesley Batista, passando por Davi Alcolumbre, Ciro Nogueira e outros graúdos do Centrão.