O Papa Leão XIV nomeou nesta segunda-feira o climatologista brasileiro Carlos Nobre para o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral da Igreja Católica. O órgão é uma espécie de conselho sobre temas como direitos humanos, justiça, paz, saúde, migrações, emergências humanitárias e obras de caridade da Igreja. Ao g1, o cientista, que é referência internacional em pesquisas sobre a Amazônia e mudanças climáticas, declarou que a nomeação é reflexo do agravamento da crise climática global e indica preocupação da Igreja com as consequências ambientais sobre a Humanidade.
— A Igreja tem uma grande importância para a humanidade e, quando ela escolhe olhar para o meio ambiente, ela está olhando para as pessoas. Muitas vidas estão em risco. Estou honrado de ser parte desse grupo e poder ajudar — disse ao g1.
Pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Nobre é o único brasileiro nomeado para compor o conselho. Engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em meteorologia pelo MIT (Massachussets Institute of Technology ), atualmente ele atua no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP).
Nobre foi um dos primeiros cientistas a alertar para o risco de “savanização” da floresta amazônica, processo de degradação associado ao avanço do desmatamento e ao aquecimento global. O termo descreve um possível ponto de ruptura em que partes da floresta deixam de se comportar como um ecossistema úmido e denso e passam a assumir características de savana, mais secas, com vegetação baixa e menos biodiversidade.