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Partido governista conquista vitória histórica em eleição parlamentar e terá supermaioria na Câmara Baixa do Japão


Os números da rede NHK apontam que o PLD e o Partido da Inovação do Japão, seu parceiro de coalizão, podem chegar a 366 cadeiras. Segundo o portal Asahi Shimbun, ao menos 352 assentos já estão garantidos de um total de 465 cadeiras na Câmara Baixa. Essa é a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que um partido conquista a supermaioria — antes da eleição, a coalizão governista tinha apenas 232 cadeiras, e dependia de acordos para aprovar matérias de governo..

A votação antecipada foi uma aposta da popular premier Sanae Takaichi, a primeira mulher a comandar o governo japonês na História moderna, e que buscava traduzir em apoio parlamentar seus elevados índices de aprovação, e virar uma página complicada para o PLD, marcada por derrotas nas urnas e uma sequência de crises internas.

Com a supermaioria, poderá avançar em planos por vezes contestados para reduzir a inflação, cortar impostos, impulsionar o crescimento econômico e enfrentar um contexto de segurança regional cada vez mais complexo. Nas primeiras declarações, agradeceu o empenho dos eleitores que enfrentaram uma onda de frio e nevascas para ir às urnas, e delimitou seus próximos passos.

— Defendemos políticas que enfrentam forte oposição, incluindo uma grande mudança na política econômica e fiscal, o fortalecimento de nossa política de segurança e o aprimoramento das capacidades de inteligência — disse Takaichi na sede do PLD, quando os resultados estavam sendo divulgados, citada pelo Asahi Shimbun. — Se conquistarmos a confiança do povo, devemos trabalhar diligentemente nessas questões.

Tal como seu guru político, o ex-premier Shinzo Abe (morto em 2022), Takaichi defende ampliar os gastos do Estado para estimular a economia, ao mesmo tempo em que mantém a responsabilidade fiscal. Contudo, existe a preocupação de que o Banco do Japão seja cada vez mais pressionado para agir caso a inflação dispare novamente — antes de sua chegada ao cargo, o PLD era alvo de críticas pela alta recorde de itens como arroz, essencial na culinária do país.

— As pessoas querem que suas vidas sejam melhores e mais confortáveis ​​porque estamos tão acostumados a não ter inflação. Então as pessoas estão muito preocupadas. Acho que precisamos de uma solução a longo prazo, em vez de soluções paliativas — disse Ritsuko Ninomiya, uma eleitora de Tóquio, à rede BBC.

O tom nacionalista de Takaichi (que tem toques anti-imigração) agrada um eleitorado que deu uma guinada considerável à direita nos últimos anos, algo refletido no avanço de siglas como o Sanseito, cujo lema é “Façam o Japão Grande Novamente”, versão local do movimento Maga de Donald Trump nos EUA. A sigla não atingiu sua meta de conquistar 30 cadeiras — deve conquistar metade disso — mas deu um salto em relação aos dois assentos que tinha antes das eleições deste domingo.

Falando em Trump, a premier tem uma relação próxima com o republicano, que antes da votação expressou seu apoio e a convidou para uma visita a Washington, em março, Na rede social X, em meio à divulgação dos resultados, Takaichi disse que a “aliança e amizade com os Estados Unidos da América são construídas sobre profunda confiança e estreita e sólida cooperação”, e que “o potencial da nossa aliança é ILIMITADO”.

Contudo, nem tudo são flores no futuro da premier que compartilha detalhes de sua vida nas redes sociais com frequência e que gosta se se comparar à ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher. No final do ano passado, ela sugeriu que poderia intervir militarmente caso a China, maior parceiro comercial do Japão, invadisse Taiwan, arquipélago considerado uma província rebelde por Pequim.

Empresas japonesas foram boicotadas, pandas devolvidos, artistas tiveram eventos cancelados, voos foram adiados e os turistas chineses riscaram o país de sua lista de destinos, por recomendação das autoridades em Pequim.

— Agora ela não precisa se preocupar com eleições até 2028, quando ocorrerão as próximas eleições para a Câmara Alta — afirmou Margarita Estévez-Abe, professora da Universidade Syracuse, ao jornal britânico Guardian. — Portanto, o melhor cenário para o Japão é que Takaichi respire fundo e se concentre em melhorar o relacionamento com a China.



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