Bateu à porta de Lula a pressão para que reaja às falhas na aplicação da política de cotas raciais no serviço público federal.
Motivo: o documento produzido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, que analisou concursos realizados entre 2014 e 2024, concluiu que o Estado ficou longe de cumprir a meta legal de reservar 20% das vagas para pessoas negras
Na prática, apenas 5,9% dos novos servidores que ingressaram no Executivo federal no período entraram por cotas raciais.
A discrepância é ainda maior em uma área específica: nos concursos para professor do magistério superior, apenas 1,6% dos nomeados foram cotistas. Em números absolutos, foram 416 ingressos em dez anos, quando, pela regra da lei, o total deveria chegar a 5.100.
A cobrança ao governo é liderada pela Educafro Brasil e pela Opará – Centro de Pesquisa, que criticam a falta de monitoramento e fiscalização da política. As entidades defendem que o Planalto convoque uma reunião com os órgãos responsáveis pela execução da lei para discutir medidas de correção.
Entre as propostas está a criação de um plano para “repor” vagas que, segundo o movimento, deixaram de ser ocupadas por candidatos negros ao longo da última década.
Representantes da Educafro pretendem levar o tema ao Palácio do Planalto na próxima semana, em reunião com o ministro Guilherme Boulos.
Segundo o estudo da Enap, se mantido o ritmo atual, o equilíbrio racial entre servidores públicos (50% negros e 50% não negros) só seria alcançado em 2041.