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Quaquá convida Silvio Almeida, denunciado por assédio, para cargos em projetos culturais e universitários em Maricá


O vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, convidou o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por importunação sexual, para assumir funções em projetos culturais e acadêmicos no município da Região Metropolitana do Rio. Segundo Quaquá, Almeida aceitou participar da coordenação de um museu dedicado à herança africana no país e colaborar com a estruturação da futura Universidade do Mar (UniMar), iniciativa ainda não implementada.

O convite foi feito durante um encontro realizado neste domingo, em São Paulo. Em publicação nas redes sociais, Quaquá descreveu o ex-ministro como “um grande intelectual da negritude e da periferia brasileira”. Também participaram da reunião o arquiteto e empresário Alex Allard e o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues.

De acordo com o prefeito, Almeida deverá coordenar o futuro Museu da Contribuição Africana ao Brasil — também referido como Museu da Escravidão Negra no Atlântico —, anunciado por Quaquá no ano passado, durante agenda em Lisboa. A proposta é criar um espaço voltado à valorização da influência africana na formação histórica e cultural do país. Já a UniMar foi anunciada em 2022, em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mas ainda não saiu do papel.

A aproximação ocorre em meio ao avanço do processo contra Almeida. Ele foi denunciado pela PGR, sob comando do procurador-geral Paulo Gonet, ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual, tendo como uma das vítimas apontadas a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça e corre em sigilo.

As acusações vieram a público em 2024 e levaram à demissão de Almeida do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, Lula afirmou que a permanência do então ministro se tornara “insustentável” diante da gravidade das denúncias. Em novembro de 2025, a Polícia Federal indiciou Almeida, e a denúncia formal foi apresentada pela PGR em março deste ano.

Em depoimento, Anielle relatou episódios de importunação que teriam começado ainda no período de transição de governo, no fim de 2022, incluindo um episódio em reunião oficial em 2023. A organização Me Too Brasil também afirmou ter recebido denúncias de outras mulheres contra o ex-ministro.

Almeida nega todas as acusações. Em manifestação pública recente, afirmou ser “inocente” e disse que responderá “no lugar certo, na Justiça”. O ex-ministro sustenta que houve uso político das denúncias e critica o que classifica como “linchamento público”, além de questionar a forma como foi afastado do cargo, sem, segundo ele, direito à defesa prévia.

Quaquá já havia saído em defesa de Almeida anteriormente, ao afirmar que, independentemente da confirmação das denúncias, o ex-ministro mereceria “perdão”. O dirigente petista também criticou o que chamou de cultura de cancelamento e chegou a pedir, no âmbito partidário, a apuração de acusações envolvendo Anielle Franco.



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