A queda no preço das commodities, especialmente minério de ferro (-6,92%), soja (-6,36%) e café (-9,17%), levou o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) a recuar 1,18% e foi a principal responsável pela variação negativa de 0,73% do IGP-M, conhecido como a inflação do aluguel. Há muita volatilidade no mercado, mas o aumento da oferta desses produtos, aliado ao real mais forte frente ao dólar, pode garantir uma inflação mais baixa, especialmente no grupo de alimentos, afirma André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre.
—Não dá para dizer se isso é uma tendência que vai se sustentar no longo prazo. Temos outros efeitos a caminho, como o ciclo da pecuária, que tende a elevar o preço da carne, além da volatilidade típica de um ano eleitoral. Mas este é um bom resultado. Pelos números do IGP, entendemos que a inflação, por enquanto, está permitindo que no fim do ano tenhamos um IPCA pelo menos dentro do intervalo de tolerância da meta — e, quem sabe, mais próximo do centro da meta de 3% do que ocorreu em 2025, quando fechou em 4,26%. Por enquanto, as coisas estão indo bem — avalia Braz.
Dentro do IGP-M de fevereiro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,30%. O efeito dos preços ao produtor costuma se refletir com alguma defasagem nos indicadores para o consumidor final, explica o economista.