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sob o comando de Mineiro, Miguel Pupo ‘come pelas beiradas’ e assume a liderança pela primeira vez em Bells Beach


“Se você me dissesse que eu seria o número 1 do mundo aos 34 anos, provavelmente eu iria rir da sua cara”. Foi com essa incredulidade que Miguel Pupo tocou o sino do tradicional troféu de Bells Beach, na Austrália, neste sábado, e vestirá pela primeira vez a lycra amarela em Margaret River. Enquanto os holofotes estavam voltados para os campeões mundiais Gabriel Medina e Yago Dora no último dia da etapa, o atual líder do ranking “comeu pelas beiradas” e fez jus ao apelido do seu treinador, Adriano de Souza, o Mineiro, conquistando apenas o segundo título na elite — o primeiro foi em Teahupoo, no Taiti, em 2022.

Conhecido por ser extremamente calculista e frio na época em que competia, o ex-surfista parece ter passado essas habilidades ao seu antigo adversário e agora pupilo, que ajustava o posicionamento no mar conforme os gestos do seu técnico com a prancha “reserva” no palanque. A comunicação não-verbal não só funcionou perfeitamente dentro da água, como virou uma espécie de ritual a cada bateria.

Além da parceria de sucesso, Miguel demonstrou que seu surfe envelheceu como um bom vinho. Com 14 temporadas na bagagem, o local de Maresias (SP), mas residente em Balneário Camboriú (SC), fez uso da experiência para selecionar as melhores direitas de Winkipop — pico alternativo ao principal de Bells — e foi recompensado no julgamento das notas com manobras expressivas de backside — quando o surfista está de costas para a onda.

Foi justamente com esse estilo agressivo e, ao mesmo tempo, plástico que Miguel desbancou o favoritismo de Yago na final — somatórios de 15,6 (8,1 e 7,5) contra 13,90 (7,73 e 6,17). Antes de fazer parte da primeira decisão 100% brasileira em Bells Beach, o atual campeão mundial fez a maior nota (9,5) do campeonato com um superaéreo “buzzer beater” — arremesso no estouro do cronômetro no basquete — em uma bateria de altíssimo nível ao lado de Medina, que retornou em grande estilo ao circuito, após quase dois anos fora por conta de uma lesão no ombro esquerdo.

Até por conta do período afastado das competições, havia certa incógnita sobre o desempenho do tricampeão. Mas o surfista mais vitorioso da Brazilian Storm deixou sinais claros de que está com a “faca nos dentes” e brigará pelo tetra neste ano. Amigo de longa data de Miguel, ele também é treinado por Mineiro, que ficou perto de ver seus dois atletas decidirem o título de Bells.

Prova do domínio brasileiro é que apenas João Chianca, o Chumbinho, e o estreante Mateus Herdy ficaram pelo caminho na segunda rodada. Já no feminino, Luana Silva, vice-campeã da etapa em 2025, superou dez títulos mundiais ao eliminar as australianas Stephanie Gilmore (8) e Tyler Wright (2) para chegar às quartas de final. Os gringos que se cuidem porque vem mais uma tempestade verde e amarela por aí.



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